Texto escrito pelo professor Jorge Marrão, AE de Santa Catarina

Ler a Ilíada, de Homero, pode parecer uma tarefa difícil, mas é uma experiência fascinante, especialmente para quem quiser conhecer a complexidade humana: batalhas épicas e histórias de heróis lendários. Mas é muito simplista reduzir a Ilíada a uma questão de guerra e feitos. Esta obra narra um momento crucial da Guerra de Tróia, com personagens lendárias como Aquiles, Heitor, Ulisses, Príamo, Briseide, Andrómeda, Páris e Helena.
Um dos principais motivos para ler a Ilíada é o facto de ser um dos pilares da cultura ocidental. Na verdade, o contexto ideológico é marcado pelo confronto entre Ocidente (os gregos) e o Oriente (os troianos). Mas a Ilíada não é apenas isso. É uma narrativa profunda sobre os caracteres humanos: a tirania de Agamémnon, a ira de Aquiles, a vaidade de Páris, ou a diplomacia de Ulisses, a honra de Heitor (a minha personagem favorita, pela sua humanidade, carácter e despojamento, desprovido do auxílio dos deuses). Apesar de ter sido escrita há quase três mil anos, continua ímpar quanto ao que significa a vida humana e os valores que ainda fazem sentido hoje – confronto civilizacional leste/oeste?
Outro motivo para ler a Ilíada é que nos tornará mais cultos e preparados para compreender outras grandes histórias. Muitas obras da literatura, do cinema e até da banda desenhada fazem referência a este poema épico. Lê-la dá-nos uma vantagem para perceber essas ligações e aprofundar o conhecimento sobre poder, honra, pátria, diplomacia; a parcialidade, as invejas e as tramas dos deuses contra os homens.
Na minha primeira leitura teria 17 anos. Foi o melhor que, naquela tarde quentíssima de verão, me aconteceu com a chegada da carrinha da Gulbenkian (biblioteca itinerante) à aldeia. O melhor é que, depois dessa aventura, continuei a explorar um universo cultural extraordinário.
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